Quando um negócio decide contratar o primeiro colaborador, a pergunta costuma ser "quanto lhe vou pagar?". A pergunta certa é outra: "quanto me vai custar, ao todo?". A diferença entre as duas pode ser de 30% a 40%, e é aí que muitas contratações apressadas apertam a tesouraria.

1. O salário é o ponto de partida, não o total

Ao valor que combina com o trabalhador juntam-se encargos que a lei obriga e que saem do bolso da empresa. Para referência, em 2026 o salário mínimo nacional é de 920 euros (Decreto-Lei n.º 139/2025), pago a 14 meses. Mas seja qual for o salário, a estrutura de custos é a mesma.

Se quer o detalhe fino do custo ao salário mínimo e do efeito em cascata nos escalões e subsídios, escrevemos um guia dedicado: Salário Mínimo 2026 sobe para €920: o impacto real na folha. Aqui, o foco é a conta completa de uma primeira contratação.

2. Os encargos obrigatórios

Há três custos que não são opcionais e que se somam sempre ao salário:

Numa contratação a 1.000 euros de salário base, a conta obrigatória fica assim:

ComponenteMensalAnual (14 meses)
Salário base€1.000,00€14.000,00
TSU a cargo da empresa (23,75%)€237,50€3.325,00
Seguro de acidentes de trabalho (~1%)€10,00€140,00
Custo obrigatório para a empresa€1.247,50~€17.465,00

Ou seja: quem "custa 1.000" custa, na verdade, perto de 1.250 euros por mês, só com o obrigatório.

3. Os custos que não são obrigatórios, mas quase sempre acontecem

É aqui que a conta engana. Estes custos não vêm na lei, mas na prática quase todas as contratações os trazem, e muitos donos de negócio esquecem-nos no orçamento:

Somados, estes custos "invisíveis" acrescentam facilmente 150 a 400 euros por mês ao valor da contratação, consoante a função e o setor.

4. E há o custo que não se fatura: o seu tempo

Contratar é também recrutar, entrevistar, tratar da papelada (contrato, comunicação à Segurança Social, seguro, medicina no trabalho) e acompanhar a pessoa nos primeiros meses. Esse tempo é seu, e tem valor. Não entra na folha, mas entra no custo real da decisão.

Contratar não é caro, é mais caro do que parece. Quem faz a conta completa antes contrata com segurança; quem só olha para o salário arrisca-se a apertar a tesouraria a meio do ano.

5. Antes de dar o passo: o que ter em ordem

Para contratar bem e sem sustos, há uma lista mínima a tratar, e a maioria passa pelo contabilista:

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Fazemos consigo a conta real, tratamos dos contratos e das obrigações, e ajudamos a confirmar se o negócio suporta o passo. Sem surpresas a meio do ano.

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Fontes