O que mudou em 2026 — em 30 segundos

A nova Retribuição Mínima Mensal Garantida (RMMG) cumpre o Acordo Tripartido sobre a Valorização Salarial e o Crescimento Económico 2025-2028 assinado em outubro de 2024 entre Governo, CGTP, UGT, CIP, CTP e CCP. O acordo prevê uma trajetória definida:

Em Portugal, o salário é pago a 14 meses (12 normais + subsídio de Natal + subsídio de férias). Para 2026, o valor anual bruto pago pelo empregador é portanto €12.880 por trabalhador ao salário mínimo.

O custo total para a empresa não são os €920

Para a generalidade das PME, o custo real de cada trabalhador ao salário mínimo inclui a contribuição patronal para a Segurança Social (TSU) e outros encargos. A conta direta:

ComponenteValor mensalAnual (14 meses)
Salário base€920,00€12.880,00
TSU patronal (23,75%)€218,50€3.059,00
Seguro de acidentes de trabalho (~1%)€9,20€128,80
Custo total empresa€1.147,70€16.067,80

Sobre o trabalhador descontam-se 11% de TSU (€101,20/mês). O líquido na mão de quem recebe €920 brutos no continente, em 2026, é €818,80 — sem retenção de IRS na fonte porque o mínimo de existência (€12.880/ano) está alinhado com o anual bruto.

O efeito cascata: IAS, escalões IRS e subsídios indexados

O salário mínimo arrasta consigo outros indicadores que afetam todos os trabalhadores da empresa — não apenas os que recebem a RMMG:

Indexante dos Apoios Sociais (IAS) 2026 = €537,13

O IAS é a referência para muitos benefícios sociais e fiscais. Em 2026 subiu para €537,13 (+3,5% face a 2025). É o IAS que define, por exemplo:

Tabelas de Retenção IRS 2026 — Despacho n.º 233-A/2026

As novas tabelas de retenção, publicadas em Diário da República, atualizaram os escalões em 3,51% face a 2025 e reduziram as taxas dos escalões 2.º a 5.º em 0,3 pontos percentuais. O mínimo de existência subiu para €12.880/ano — alinhado com o salário mínimo anual bruto.

Subsídio de refeição da Função Pública = €6,15/dia

O subsídio de refeição da Administração Pública subiu de €6,00 para €6,15 em 2026. Este valor é a referência para o limite de isenção fiscal no setor privado:

A diferença é de quase 70% — pode valer €500-€600 líquidos/ano por trabalhador, sem custo extra para a empresa.

Como compensar o aumento — o que pedimos aos nossos clientes

Para as PME do Norte que servimos, o aumento de €50/mês × 14 meses × N trabalhadores × 1,25 (TSU + seguros) implica um custo anual extra real de cerca de €875 por trabalhador ao salário mínimo. Para uma empresa com 10 trabalhadores no mínimo, são €8.750/ano de pressão direta.

Três alavancas concretas, dentro da lei, para mitigar este custo:

  1. Migração do subsídio de refeição para cartão refeição — poupança fiscal sobre TSU patronal e IRS do trabalhador. Para 10 trabalhadores com €10/dia, ronda os €3.000-€5.000/ano de poupança combinada.
  2. Aplicação correta do IRS Jovem nos colaboradores até 35 anos — o regime aplica-se em fonte. Erros na folha custam ao colaborador centenas de euros/ano e geram conflito.
  3. Otimização do regime de IRC PME — a taxa reduzida de IRC sobre os primeiros €50.000 de matéria coletável manteve-se em 2026. Combinada com benefícios fiscais ao investimento (RFAI, DLRR), permite recuperar parte da pressão fiscal.
Aumentar o salário mínimo é uma decisão política. Mitigar o impacto dentro da lei é decisão fiscal — e essa é exatamente onde está o trabalho do contabilista.

Para os colaboradores: o que muda no recibo

Para quem ganha o salário mínimo no continente em 2026:

Os trabalhadores que estavam ligeiramente acima do salário mínimo em 2025 (por exemplo €890-€910) podem ver agora a sua diferença atenuada — é a chamada compressão salarial. Em vários sectores, isto está a obrigar a revisões em cascata para os escalões imediatamente acima, sob pena de perder atratividade na contratação.

O calendário até 2028

O Acordo Tripartido define a trajetória até 2028. Para quem está a planear orçamentos plurianuais, os valores a aplicar são:

AnoRMMG mensalAnual bruto (14 meses)Custo total empresa (TSU+seguro)
2025€870€12.180~€15.190
2026€920€12.880~€16.068
2027 (previsto)€970€13.580~€16.945
2028 (previsto)€1.020€14.280~€17.819

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Acompanhamos centenas de PME do Norte na gestão fiscal e laboral. Calculamos o custo real do aumento para a sua estrutura e identificamos onde há margem para o absorver dentro da lei.

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Fontes