O que é cada um — sem confusão

Tarifa regulada

A tarifa regulada é fixada anualmente pela Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) através de diretiva publicada no início de cada ano. Para 2026, a referência é a Diretiva n.º 1/2026, de 7 de janeiro. O fornecimento em regime regulado é assegurado por um comercializador de último recurso — em Portugal continental, a SU Eletricidade.

A tarifa regulada é elegível para consumidores em baixa tensão normal (BTN) com potência contratada até 41,4 kVA. A grande maioria das PMEs e dos pequenos estabelecimentos comerciais cabe nesta categoria.

Mercado livre

No mercado livre, o consumidor contrata diretamente com um comercializador independente (Iberdrola, Galp, Endesa, EDP Comercial, Repsol, Goldenergy, Coopérnico, entre dezenas de outros). Cada comercializador define livremente o preço da componente energia e da componente comercialização, em concorrência com os restantes.

As tarifas de acesso às redes (transporte e distribuição) são iguais para todos os consumidores — reguladas pela ERSE — e repercutidas em todas as faturas, independentemente do comercializador.

O que mudou em 2026 — os números reais

Tarifa regulada: prolongamento até 2027

Em 2026 estava previsto o fim do regime de tarifa regulada para BTN. A Diretiva n.º 1/2026 da ERSE prolongou a sua vigência por mais um ano, até 31 de dezembro de 2027. Esta decisão dá às empresas mais tempo para avaliar com calma a transição, mas também sinaliza que o caminho político continua a ser, no médio prazo, a liberalização total — apenas com ritmo mais cauteloso.

Aumento médio de 1% no regulado

As tarifas transitórias de venda a clientes finais em BTN têm, em média, uma variação de +1,0% em 2026. Trata-se de uma subida moderada face à pressão inflacionista vivida nos últimos anos.

Tarifa de acesso: +3,5% para todos

As tarifas de acesso às redes em baixa tensão normal subiram 3,5% em janeiro de 2026. Esta subida afeta todas as faturas, no regulado e no liberalizado — não há fuga possível ao componente regulado da fatura, que pesa entre 35% e 50% do total para a maioria das PMEs.

Quando o regulado faz sentido para uma PME

O mercado regulado é normalmente a escolha sensata quando:

Quando o mercado livre faz sentido

O mercado livre é tipicamente vantajoso quando:

O mercado regulado não é automaticamente o mais barato. Mas é a referência mais transparente. Se a PME não tem capacidade interna para gerir comparações anuais no livre, ficar no regulado pode poupar dinheiro líquido — porque cada renovação acrítica no livre tende a perder o desconto inicial.

O simulador da ERSE: a ferramenta neutra

A ERSE disponibiliza um simulador oficial de preços de energia que permite comparar ofertas do mercado livre contra a tarifa regulada de referência. É a ferramenta mais neutra disponível — não tem viés de comercializador.

O simulador exige introduzir consumo anual real (do contador ou de faturas) e potência contratada. Com estes dados, devolve uma comparação por comercializador. É o ponto de partida obrigatório de qualquer decisão informada.

Os 5 erros mais comuns ao escolher

1. Comparar apenas o preço da energia (€/kWh) — a fatura tem mais componentes do que o preço por kWh: termo fixo, taxa de comercialização, IVA, contribuição audiovisual, taxa DGEG, IEC. Comparar apenas o preço da energia leva a falsas conclusões.

2. Aceitar promoção inicial sem ler condições — muitos contratos do mercado livre têm desconto agressivo nos primeiros 6 ou 12 meses e regressam à tarifa-padrão no segundo período. Avaliar o preço médio da fidelização total, não o promocional.

3. Subestimar fidelizações — fidelizações de 2 anos com cláusulas penalizadoras de saída são habituais. Em mercado a descer, ficar amarrado a contrato antigo é caro. Privilegiar contratos sem fidelização ou com fidelização curta.

4. Não rever potência contratada — muitas PMEs têm potência contratada superior à que efetivamente usam. Reduzir a potência contratada é, frequentemente, a alteração com maior impacto na fatura — e é independente do comercializador escolhido.

5. Ignorar autoconsumo solar — um sistema de autoconsumo de 5 a 10 kWp num pequeno estabelecimento comercial pode reduzir a fatura em 30 a 50%. Em 2026, com apoios PRR ainda em vigor, é a alavanca mais relevante de poupança — mais do que a escolha de comercializador.

O que considerar no contrato

  1. Preço da energia em horário simples, bi-horário ou tri-horário — escolher o tarifário que melhor se ajusta ao perfil real
  2. Termo de potência — diferenças entre comercializadores existem, embora menores
  3. Cláusulas de revisão — anuais, semestrais ou indexadas a índices de mercado (MIBEL)
  4. Período de fidelização e penalidades de saída
  5. Origem da energia — 100% renovável certificada (com garantia de origem) ou mistura standard
  6. Serviços adicionais — manutenção elétrica, monitorização inteligente, autoconsumo

Calendário 2026 a reter

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Fontes: ERSE — Tarifas e preços de eletricidade · ERSE — Tarifa regulada · ECO — Ofertas mais baratas em 2026 · Coopérnico — Fixação das tarifas de energia para 2026 · Diretiva ERSE n.º 1/2026, de 7 de janeiro.