Cada vez mais portugueses abrem empresa

O empreendedorismo em Portugal está em crescimento. Segundo os dados mais recentes do INE, o número de novas empresas constituídas tem vindo a aumentar de forma consistente, impulsionado pela digitalização dos processos, pelo acesso facilitado a financiamento e pelo ecossistema de startups que continua a expandir-se, sobretudo no Porto e em Lisboa.

Mas abrir uma empresa continua a exigir planeamento. Os custos são reais, as obrigações fiscais começam no dia 1, e os erros nos primeiros meses podem custar caro. Este guia reúne tudo o que precisa de saber para constituir uma empresa em Portugal em 2026 — da escolha do tipo de sociedade até à primeira declaração de IVA.

Tipos de empresa: qual escolher

A primeira decisão é o tipo de forma jurídica. Em Portugal, as opções mais comuns são quatro:

Empresário em Nome Individual (ENI)

A forma mais simples. Não exige capital social mínimo e a constituição é imediata. No entanto, o património pessoal do empresário responde pelas dívidas da empresa — o que representa um risco significativo. É indicado para atividades de baixo risco e faturação reduzida.

Sociedade Unipessoal por Quotas (Unipessoal Lda.)

A opção mais popular para quem quer abrir sozinho. Oferece separação entre património pessoal e empresarial, exige um capital social mínimo de apenas 1 euro (embora valores mais elevados transmitam maior credibilidade) e a responsabilidade do sócio é limitada ao capital investido. É a escolha certa para a maioria dos novos empresários.

Sociedade por Quotas (Lda.)

Semelhante à Unipessoal, mas com dois ou mais sócios. Cada sócio detém uma quota proporcional ao seu investimento. É a forma ideal quando o negócio envolve parceiros. O capital social mínimo também é de 1 euro por sócio.

Sociedade Anónima (SA)

Exige um capital social mínimo de 50.000 euros e pelo menos cinco acionistas (ou um único acionista, sendo pessoa coletiva). É a forma jurídica indicada para empresas de grande dimensão ou que pretendem atrair investimento externo. Para a maioria dos novos negócios, não é a opção mais adequada.

Na prática, cerca de 80% das novas empresas em Portugal são constituídas como Unipessoal Lda. ou Sociedade por Quotas. Se está a começar, uma destas duas opções será provavelmente a mais indicada.

Passo 1: Escolher o nome e verificar disponibilidade

O nome da empresa — a firma — deve ser único. Antes de avançar com a constituição, é obrigatório verificar se o nome pretendido está disponível. Isto é feito através do Registo Nacional de Pessoas Coletivas (RNPC), que pode ser consultado online no portal eportugal.gov.pt.

Dicas práticas para a escolha do nome:

Passo 2: Constituição da empresa

Existem três formas de constituir uma empresa em Portugal:

Empresa Online (eportugal.gov.pt)

O método mais rápido e económico. Todo o processo é feito online e custa 220 euros com pacto social pré-aprovado ou 360 euros com pacto social elaborado pelos sócios. Inclui o certificado de admissibilidade, a publicação no Diário da República, o registo comercial e o cartão de pessoa coletiva. O registo demora 5 dias úteis (pacto pré-aprovado) ou 10 dias úteis (pacto próprio). É necessário Cartão de Cidadão com assinatura digital ativada ou Chave Móvel Digital.

Balcão presencial (Empresa na Hora)

Disponível nos balcões do IRN (Instituto dos Registos e do Notariado). O processo é concluído no próprio dia, mas exige deslocação presencial e a escolha de um pacto social pré-aprovado. Custa entre 360 e 500 euros, dependendo das opções escolhidas.

Advogado ou solicitador

A opção mais flexível, indicada para situações mais complexas — como pactos sociais personalizados, entrada de sócios estrangeiros ou estruturas societárias específicas. O custo total pode variar entre 500 e 700 euros, acrescido dos honorários do advogado.

Passo 3: Registos obrigatórios

Após a constituição, a empresa precisa de tratar de vários registos:

Custos reais de abrir empresa em 2026

Um resumo dos custos que deve considerar:

No total, é possível abrir uma empresa por menos de 400 euros — mas planear um orçamento de 600 a 1.000 euros para os primeiros meses é mais realista, considerando contabilidade e eventuais licenças.

Obrigações fiscais desde o dia 1

Assim que a empresa está constituída, as obrigações fiscais começam imediatamente:

Os 5 erros mais comuns ao abrir empresa

1. Não contratar contabilista desde o início — Muitos empresários tentam tratar da contabilidade sozinhos nos primeiros meses. O resultado são erros no enquadramento fiscal, declarações em falta e coimas evitáveis. A contabilidade organizada é obrigatória para sociedades — e o contabilista deve estar envolvido desde o dia da constituição.

2. Escolher o regime de IVA errado — A isenção do artigo 53.º pode parecer atrativa, mas impede a dedução do IVA nas compras. Para negócios com investimento inicial significativo, o regime normal é quase sempre mais vantajoso.

3. Não separar contas pessoais e empresariais — Misturar finanças pessoais e da empresa é um dos erros mais prejudiciais. Além de complicar a contabilidade, pode levantar problemas em caso de inspeção fiscal.

4. Subestimar o IVA — O IVA cobrado aos clientes não é receita da empresa — é dinheiro do Estado. Muitos novos empresários gastam o valor do IVA sem se aperceber, e ficam com dívidas à Autoridade Tributária no momento da entrega trimestral.

5. Não planear os custos fixos — Contabilidade, segurança social do gerente, seguros obrigatórios e eventuais licenças representam custos fixos que existem independentemente da faturação. Planear estes custos antes de abrir a empresa evita surpresas desagradáveis.

Porque deve ter um contabilista desde o dia 1

A legislação portuguesa exige que todas as sociedades tenham contabilidade organizada, gerida por um Contabilista Certificado. Mas a obrigação legal é só o ponto de partida.

Um bom contabilista ajuda a escolher o enquadramento fiscal mais eficiente, evita erros nas declarações iniciais, planeia a gestão de tesouraria e garante que a empresa cumpre todas as obrigações nos prazos corretos. Nos primeiros meses de vida de uma empresa, o acompanhamento contabilístico é tão importante como o próprio plano de negócio.

No Grupo Marclant, acompanhamos a criação de novas empresas há mais de 45 anos. Com mais de 500 empresas sob gestão contabilística, sabemos exatamente o que é preciso em cada fase — da constituição à primeira declaração de IRC. Estamos em Vila Nova de Gaia e trabalhamos com empresários de todo o país.

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Fontes: eportugal.gov.pt · Autoridade Tributária e Aduaneira · Código das Sociedades Comerciais · Ordem dos Contabilistas Certificados · OE 2026 · DL n.º 35/2025 (alteração ao artigo 53.º CIVA)